Um dos primeiros e-mails que recebi foi o da senhora provedora Honorina Silvestre, da Misericórdia da Canha, fundada em 1616 e que este ano comemora os 400 anos. Para me cumprimentar e incentivar a continuar esta acção de reflexão, que diz ser necessária e urgente. E para partilhar comigo e neste site o que pensa sobre o futuro das Santas Casas dos meios rurais.
 
No e-mail, salienta a senhora provedora que o futuro dessas Misericórdias – que depende em absoluto de uma gestão rigorosa e eficaz – deverá sempre estar relacionado com o serviço em favor das comunidades locais, na medida em que foram essas que as justificaram à data de fundação e continuam a ser essas que as justificam. Porque, como lembra, “sem comunidades não há objecto de trabalho”.
 
Sendo assim, “a par das questões financeiras, das dependências excessivas do Estado e de um trabalho em rede, que se impõe entre todas as Misericórdias, há que equacionar como intervir nas pequenas localidades, para que não se tornem um deserto de pessoas. Há que, sem esquecer as razões da nossa existência, equacionar a criação de Valor (também financeiro e económico) para que possamos cumprir a nossa Missão. E, também, equacionar novos públicos alvo  do nosso trabalho, nomeadamente a classe média em Portugal.”
 
E termina o e-mail, mas não sem antes recordar que as Misericórdias podem “fazer o Bem, não só na língua portuguesa, para portugueses”, já que a sua oferta pode passar, também, por mostrar aos estrangeiros que sabem “cuidar e amar sem fronteiras”, embora defendendo que essa deve ser a função das organizações representativas das Santas Casas.
 
Antes de terminar esta nota destaco dois aspectos muito positivos. O primeiro: a rapidez com que a Santa Casa da Misericórdia da Canha respondeu ao meu convite aberto de colaboração. O segundo: o seu website, com informação bem estruturada, sucinta e muito clara, e a sua presença nas redes sociais. Como transmiti à senhora provedora, é um exemplo, entre vários mas ainda poucos, que outras Santas Casas podem e devem seguir com a maior brevidade.
 
Saúde oral e reinserção social
A Fundação ADFP