Devo ao actor norte-americano Michael Douglas e ao Carlos Plantier a leitura deste livro. A primeira vez que o li foi em 1987, por causa de “Wallstreet”, um filme realizado por Oliver Stone e interpretado por Michael Douglas e Charlie Sheen, que acabou por fazer com que me interessasse mais pelas grandes corporações norte-americanas e pelos negócios de Wallstreet. Comprei-o num alfarrabista, ali para os lados da Rua Augusta, perto do Século, por sugestão do Carlos Plantier, juntamente com um outro livro, aconselhado no filme pelo intrépido personagem de Douglas, Gordon Gekko, ao jovem yuppie Bud Fox, que era até então relativamente desconhecido em Portugal: Sun Tzu – A arte da guerra.

Passados 29 anos, um livro e o outro ainda estão na lista dos meus favoritos, mas Business Adventures é de longe o melhor livro de negócios que li

Considerado um clássico da área financeira, Business Adventures – Twelve classic tales from the world of Wall Street é uma compilação de histórias retiradas de artigos, escritos no The New Yorker, por John Brooks, sobre a vida empresarial e financeira nos Estados Unidos, durante a década de 60. Para quem não conhece a obra de Brooks, o mais fácil será pensar num Michael Lewis (The big short) de há 47 anos, porque foi em 1969 que o livro foi publicado pela primeira vez.

Um dos aspectos que mais me fascina em Business Adventures, é a diversidade de casos e a quantidade de informação debitada por Brooks em cada um, sem perder por um momento a assombrosa capacidade de ir ao detalhe. Em conjunto, proporcionam uma perspectiva absolutamente privilegiada, de ‘business insiders‘, sobre algumas das mais interessantes histórias de negócios de Wallstreet.

Os casos da Edsel, que representou uma perda de US$350 milhões para a Ford Motor Company, da General Electric ou da Texas Gulf Sulphur, são apenas alguns dos que ilustram a extrema complexidade da vida dos negócios, ao mesmo tempo que deixam exposto o pior lado da natureza humana e a volatilidade do mundo financeiro. Aliás, e não obstante os seus 47 anos, o livro mantém toda a actualidade intacta, já que nem a essência dos negócios nem a natureza dos homens de negócios mudaram, como confirmaria “Gekko” 18 anos mais tarde, com a celebre frase: “Greed, for lack of a better word, is good”. 

 

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