A Matemática não trata de números, trata de ideias. Porque “o trabalho de um matemático é identificar estruturas e padrões e investigar como é que eles se relacionam”, num processo criativo com várias semelhanças ao das Artes. E é nesse espírito, da análise de factos e da sua relação, que se enquadra este livro. 

Não estou entre aqueles que defendem o fim dos contratos de associação com as escolas privadas. Defendo o sistema público de ensino, não as instituições públicas de ensino – nem as privadas. Acredito num sistema que integre o que de melhor houver, sem preconceitos, desde que seja comprovadamente o melhor. E este livro, só veio reforçar ainda mais essa convicção. 

“A Matemática em Portugal: uma questão de Educação”, da autoria do físico português e professor do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Jorge Buescu, de 51 anos, publicado há quatro anos pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, é um dos livros de autores portugueses mais interessantes que tive a oportunidade de ler.

Por um lado, ajuda a compreender melhor a influência das escolas e universidades privadas no ensino, em Portugal, partindo de factos da nossa História, como a expulsão dos jesuítas, no século 18, com efeitos devastadores no plano educativo nacional, na medida em que os colégios que mantinham foram encerrados. Por outro, mostra como essa e outras situações debilitaram o ensino português, ao longo de mais de um século, e tornaram difícil que tivéssemos um ensino de qualidade comparável ao de outros países, acabando por nos impedir de atingirmos qualquer relevância a nível mundial – fosse na área da matemática ou, de forma mais abrangente, em qualquer outra área científica.

Independentemente do que defendamos para o ensino, este é um livro que aconselho vivamente, uma vez que nos ajudará a colocar em perspectiva vários factores que afectam a qualidade do ensino nacional e a qualidade da preparação dos nossos jovens, da qual sempre dependerá a evolução da pobreza em Portugal.

 

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Somos Pobres Mas Somos Muitos